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Câmeras inteligentes conseguem identificar comportamento suspeito? Especialista explica os limites da IA na segurança

Avanço do videomonitoramento inteligente amplia capacidade de prevenção e resposta rápida, mas ainda depende de contexto e análise humana para evitar erros

De acordo com Vinicius Romano, CEO da Camerite, uma das líderes nacionais de videomonitoramento, apesar do avanço tecnológico, existe um limite importante entre reconhecer padrões e “entender” intenções humanas.

“A inteligência artificial não prevê crimes e nem lê comportamento humano da forma como muitas pessoas imaginam. O que ela faz é identificar padrões estatísticos e anomalias dentro de um contexto previamente configurado. É uma ferramenta extremamente útil para acelerar respostas e reduzir falhas humanas, mas ainda depende de supervisão e interpretação humana”, explica.

O executivo afirma que um dos maiores equívocos sobre o tema é acreditar que a IA possui autonomia total na tomada de decisões. Segundo ele, o sistema trabalha com probabilidades.

“Quando falamos em comportamento suspeito, estamos falando de parâmetros definidos anteriormente. Por exemplo: alguém parado por muito tempo em um local sensível, uma movimentação fora do padrão ou uma tentativa de acesso indevido. A câmera consegue detectar esse desvio e gerar um alerta, mas a decisão final continua sendo humana”, pontua Romano.

Hoje, algumas soluções mais avançadas já conseguem diferenciar pessoas, veículos e animais, além de reduzir significativamente falsos alarmes causados por chuva, sombras ou movimentações ambientais. Há sistemas no mercado que prometem até 90% de redução em alarmes falsos através de deep learning.

Proteção de dados e desafios contra erros e uso indevido

Ao mesmo tempo, o crescimento dessas tecnologias também levanta discussões sobre privacidade e proteção de dados. No Brasil, sistemas de reconhecimento facial já estão presentes em centenas de cidades e monitoram milhões de pessoas diariamente.

Pesquisadores e especialistas em direitos digitais alertam para riscos relacionados a erros de identificação, falta de transparência e uso indevido de dados biométricos. Para Romano, o uso responsável da tecnologia será determinante nos próximos anos.

“A IA precisa ser encarada como apoio operacional e não como substituição completa da análise humana. Existe um limite técnico e ético importante. Sistemas mal configurados podem gerar interpretações equivocadas, vieses e até situações constrangedoras. Por isso, transparência, governança e adequação à LGPD são fundamentais”, destaca.

Outro desafio está relacionado ao próprio ambiente monitorado. Fatores como iluminação, qualidade da internet, posicionamento das câmeras e treinamento do algoritmo impactam diretamente a eficiência da análise inteligente.

“Não existe tecnologia infalível. Uma câmera inteligente em um ambiente mal iluminado ou sem contexto adequado perde muita eficiência. O resultado depende tanto da IA quanto da estrutura operacional por trás dela”, afirma o CEO.

Apesar das limitações, Romano aponta que o videomonitoramento inteligente deve continuar crescendo no Brasil, principalmente em projetos urbanos, empresas, condomínios e operações de segurança preventiva. A tendência é que os sistemas evoluam cada vez mais para atuar de forma preditiva, cruzando imagens, dados e padrões em tempo real.

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