Estado acompanha avanço observado no país, enquanto hepatites B e C permanecem abaixo das médias nacionais; especialista destaca importância do diagnóstico precoce e da continuidade do cuidado
Minas Gerais registrou aumento nos casos de hepatite A em 2024, acompanhando o movimento observado em âmbito nacional.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, mostram que a taxa de incidência passou de 0,6 para 0,7 caso por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, enquanto o número de registros aumentou de 121 para 141.
Apesar da alta, o estado permaneceu abaixo da média nacional, de 1,7 caso por 100 mil habitantes.
O avanço observado em Minas Gerais acompanha um movimento nacional identificado pelo Ministério da Saúde. Após uma década marcada pela redução da circulação do vírus, em 2024, o Brasil registrou aumento de 54,5% na taxa de incidência da hepatite A em relação ao ano anterior, passando de 1,1 para 1,7 caso por 100 mil habitantes.
Embora tenha registrado crescimento no período, Minas Gerais manteve incidência inferior à média nacional.
Os dados colocam Minas Gerais na nona posição entre as unidades da Federação com maior taxa de incidência de hepatite A em 2024.
Com 0,7 caso por 100 mil habitantes, o estado ficou atrás apenas de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul.
Enquanto a hepatite A apresentou aumento em 2024, as hepatites B e C mantêm um cenário mais favorável em Minas Gerais. A taxa de detecção da hepatite B passou de 5,2 para 5,1 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, permanecendo abaixo da média nacional.
Já a hepatite C registrou taxa de 7,4 casos por 100 mil habitantes em 2024, também inferior às médias do Brasil e da Região Sudeste.
Para Raul Canal, presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), o aumento da hepatite A reforça a necessidade de vigilância contínua sobre as hepatites virais.
"A redução observada em algumas hepatites não significa que o problema esteja superado. As formas crônicas continuam exigindo acompanhamento permanente e podem produzir impactos relevantes na vida do paciente. A prevenção e o diagnóstico oportuno permanecem como estratégias fundamentais para reduzir complicações futuras", afirma.
O boletim do Ministério da Saúde mostra que, na hepatite B, 72,7% dos casos com classificação registrada correspondem à forma crônica.
Entre os episódios com provável forma de transmissão identificada, a via sexual respondeu por 51,6% das ocorrências. Os dados também indicam maior concentração de casos entre pessoas com 60 anos ou mais.
Segundo Canal, esses indicadores reforçam a necessidade de políticas públicas permanentes para garantir diagnóstico, acompanhamento e tratamento.
"Quando a infecção evolui para a forma crônica, o paciente passa a depender de acompanhamento regular, exames periódicos e, muitas vezes, tratamento de longo prazo. A continuidade do cuidado é essencial para preservar a saúde e reduzir complicações", explica.
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