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Com SELIC em 14,25%, Brasil segue entre os países com os maiores juros reais do mundo

Entenda como esse cenário influencia o crédito, os investimentos e o planejamento financeiro de famílias e empresas

Mesmo após a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano, o Brasil permanece entre os países com os maiores juros reais do mundo.

O corte de apenas 0,25 ponto percentual realizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a expectativa de que o ciclo de queda dos juros pode ocorrer de forma mais lenta, mantendo o custo do dinheiro elevado para famílias e empresas.

A manutenção dos juros em patamares elevados está relacionada ao desafio do Banco Central de controlar a inflação sem perder de vista outros fatores que influenciam a economia, como o cenário fiscal, a atividade econômica e o ambiente internacional.

"O juro real brasileiro continua muito elevado porque a taxa nominal ainda está bem acima da inflação esperada. Isso reflete a necessidade de conter expectativas inflacionárias, compensar riscos fiscais e atrair capital em um ambiente global ainda incerto", explica Claudiner Sanches Junior, assessor de investimentos da WFlow.

Para o especialista, a meta de inflação de 3% ao ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é tecnicamente possível, mas depende de avanços estruturais na economia brasileira.

"Para que o país caminhe de forma consistente para essa meta, seria necessário maior equilíbrio fiscal, melhoria da produtividade e menor pressão sobre preços administrados e serviços", afirma.

As próximas decisões sobre a Selic dependerão da evolução desses indicadores e da percepção de risco para a economia brasileira.

"Qualquer aumento das pressões inflacionárias ou da percepção de risco pode adiar novos cortes nos juros", explica Claudiner.

Ainda segundo o assessor de investimentos, uma deterioração das contas públicas, a persistência da inflação no setor de serviços ou choques externos capazes de pressionar o dólar, combustíveis e alimentos estão entre os principais pontos de atenção.

Na prática, a permanência dos juros em níveis elevados continua afetando diretamente consumidores, empresas e investidores.

"Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo das famílias e tornam mais caro investir e expandir negócios. Em contrapartida, aumentam a atratividade da renda fixa para quem consegue poupar", destaca o assessor.

Diante desse cenário, o especialista recomenda cautela no planejamento financeiro, tanto para quem precisa de crédito quanto para quem pretende investir.

"O momento pede disciplina financeira. Para consumidores, a prioridade é reduzir dívidas caras e fortalecer a reserva de emergência. Empresas devem preservar o caixa e investir com critério. Já os investidores devem manter uma carteira diversificada, aproveitando as oportunidades da renda fixa sem abrir mão da visão de longo prazo", conclui.

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