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Especialistas alertam: crescimento da Fertilização In Vitro no Brasil não pode avançar sem reforço nos protocolos clínicos

Os recentes casos de mortes de pacientes após procedimentos ligados à fertilização in vitro (FIV) reacenderam o debate sobre segurança, protocolos assistenciais e qualificação técnica nas clínicas de reprodução humana no Brasil

O caso mais recente envolve a juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, que morreu nesta quarta-feira, 6, após passar por uma coleta de óvulos em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Em fevereiro, a terapeuta ocupacional piauiense Gabriela Martins, de 31 anos, também morreu em São Paulo após passar por complicações depois da realização de uma FIV.

Especialistas destacam que, embora os procedimentos de reprodução assistida sejam considerados seguros e tenham avançado significativamente nas últimas décadas, nenhum ato médico é totalmente isento de riscos. Por isso, o cumprimento rigoroso dos protocolos clínicos, a realização dos procedimentos por equipes capacitadas e a existência de infraestrutura adequada são fatores fundamentais para minimizar complicações.

Crescimento de FIV no Brasil

O crescimento da fertilização in vitro no Brasil também tem ampliado a necessidade de reforço nos padrões de segurança. Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apontam um aumento de 65% no congelamento de embriões entre 2020 e 2025. Somente em 2025, foram mais de 143 mil novos embriões criopreservados no país, elevando o estoque nacional para cerca de 688 mil embriões armazenados em clínicas especializadas.

Para o ginecologista e especialista em medicina reprodutiva, Daniel Diógenes, o aumento no número de procedimentos exige atenção constante aos critérios técnicos e assistenciais.

“É importante esclarecer que a fertilização in vitro é um procedimento amplamente estudado e considerado seguro quando realizado dentro dos protocolos adequados. Nenhum procedimento médico é totalmente isento de risco, mas os dados científicos disponíveis mostram que a mortalidade associada à coleta de óvulos é extremamente rara, estimada em cerca de um caso para cada 500 mil procedimentos realizados”, afirma.

Segundo o especialista, os dados são baseados em levantamentos internacionais e publicações científicas da área de reprodução humana assistida, que acompanham eventos adversos relacionados à captação de óvulos e aos ciclos de fertilização.

Daniel Diógenes explica que as complicações mais associadas à coleta de óvulos são sangramentos, infecções, reações anestésicas e, em casos mais raros, a síndrome da hiperestimulação ovariana, considerada uma das principais complicações da estimulação hormonal.

“A grande maioria dos procedimentos ocorre sem intercorrências graves. As complicações severas são incomuns e os índices de eventos graves permanecem muito baixos na literatura científica. Ainda assim, o monitoramento rigoroso da paciente, a seleção adequada dos casos, o acompanhamento pós-procedimento e a estrutura hospitalar disponível são fundamentais para garantir segurança”, destaca.

De acordo com estudos internacionais da área de reprodução assistida, complicações graves após a coleta de óvulos ocorrem em uma parcela pequena dos casos. Sangramentos importantes e infecções têm incidência considerada rara, geralmente inferior a 1% dos procedimentos. Já a síndrome da hiperestimulação ovariana grave ocorre em menos de 1% a 2% dos ciclos, especialmente após avanços nos protocolos hormonais utilizados atualmente.

O especialista reforça que clínicas de reprodução humana devem seguir protocolos rígidos de qualidade, controle sanitário e capacitação profissional. “É essencial que as pacientes busquem serviços reconhecidos, com equipe experiente, estrutura adequada e acompanhamento multidisciplinar. A reprodução assistida evoluiu muito e permitiu a realização do sonho da maternidade para milhares de famílias, mas a segurança deve sempre ser prioridade absoluta em todas as etapas do tratamento”, conclui.

O Brasil registra crescimento contínuo nos procedimentos de fertilização in vitro nos últimos anos, acompanhando uma tendência mundial impulsionada pelo adiamento da maternidade, avanços tecnológicos e maior acesso às técnicas de reprodução assistida.

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